Não gosto de ler um livro após assistir a versão cinematográfica do mesmo. É estranho ficar imaginando as personagens nas passagens do livro com a cara do ator no cinema. Não tive como fugir disso com Sobre Meninos e Lobos. Assisti ao filme dirigido por Eastwood umas três vezes antes de me deparar – completamente sem querer – com o livro meio esquecido numa prateleira da biblioteca municipal daqui. O ônus maior disso é que meu Jimmy Marcus tinha os cabelos pretos como os de Sean Penn, enquanto no livro eles são louros. Nada a que não se possa sobreviver.
Apesar do bom argumento do livro – que por aqui foi agraciado com um fato raro: um título em português muito melhor que o original - , a leitura foi um pouco comprometida, pois o filme estragou diversos pontos-chave, que tiraram a surpresa da conclusão da obra, e que, com certeza, teria deixado outros pontos da leitura ainda mais agradáveis. Culpa do autor? Claro que não. Lehanne nos brinda com personagens humanos, cheios de defeitos, que muitas vezes se sobrepõem às suas qualidades – e em alguns momentos questionamos se têm alguma – e vivem em constante conflito interno entre seu lado bom e o mau. O interessante é o modo como esmiúça suas personagens, e como os contruiu: há fraqueza no ex-gangster, há dúvidas no policial, e segredos horríveis no menino que, desde que fora raptado, lutara por ter uma vida normal.
Pode não ser uma obra de primeira grandeza no rol da literatura policial, mas, ao menos, recebemos do autor, com uma vivacidade ímpar, apesar de toda a opacidade do clima, esse ambiente possível e completamente imaginável. Mystic River bem que poderia ficar aqui do lado.
Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2001), de Dennis Lehane – Companhia das Letras
Luciano, ah como eu adoooro este livro e quase tudo o que li de Lehane. Então eu vou comentar bastante hoje, tá? Bem , eu li Sobre meninos e lobos muito antes do filme ser rodado e quer saber? De todos os filmes que assisti baseados em obras literárias já minhas conhecidas, o filme de Eastwood é o único com qualidade cinematográfica. Não é como os filmes baseados na obra do Dan Brown ou a série Harry Potter, que , apesar de qualidade técnica, são meros livros em formato de filme. Eastwood é um diretor tão sensível e competente que conseguiu reproduzir o inconsciente do leitor no filme - e isso não é uma opinião só minha, conversei na época do lançamento, com outros fãs de Lehane e mais gente se sentiu assim - e colocar a carga dramática na medida.
ResponderExcluirEnfim, um livrão que rendeu um filmaço . :-)
Abraço
Vanessa,
ResponderExcluirGostei de Lehane, do modo como escreve e constrói seus personagens. Sobre Meninos e Lobos tem uma história interessante e personagens idem: Jimmy é meu preferido. Sobre o filme de Eastwood, o que se falar: o cara é um gênio, um dos melhores diretores de seu tempo.
Grande abraço, e obrigado pelo comentário ;)