22 de agosto de 2011

O Menino do Pijama Listrado [Resenha #026]

O Menino do Pijama ListradoO Menino do Pijama Listrado esteve em minha lista de livros a ler por muito tempo. Temia que o autor apelasse para o sentimentalismo para narrar sua história, mas John Boyne escreve de uma maneira interessante, da forma como o menino, Bruno, enxerga o mundo o mundo à sua volta, o que, de um lado, torna a história bem mais suave em relação ao seu contexto, mas, por outro, a deixa bastante superficial, baseada em desejos, perdas e ganhos, tudo segundo Bruno.

A história se passa na Alemanha nazista, onde Bruno mora com os pais e a irmã em uma casa confortável em Berlim, levando sua vida de menino de nove anos: indo a escola, brincando, implicando com Grettel, a irmã, e tendo os três melhores amigos para a vida toda. Mas são tempos de guerra, e algumas mudanças são vistas, como, por exemplo, o fato de que toda a cidade tem de apagar as luzes ao anoitecer,e assim não ser alvo fácil para bombardeios dos aliados; e a principal delas acontece após o Fúria aparecer para o jantar.

Seu pai é transferido e mandado para comandar um campo de concentração na Polônia (Auschwitz), e Bruno tem de deixar para trás tudo o que tinha, inclusive seus amigos, para viver em um lugar triste, em nada comparado com a fervilhante Berlim e sua casa de cinco andares. Até que, de sua janela, vê uma grande cerca, com pessoas do outro lado, todas elas usando um pijama listrado, e se põe a se perguntar o que fazem lá, e porquê ele e sua família não podem cruzar aquela cerca. O garoto simplesmente detestava o lugar, que chama de “Haja–Vista” – um jogo de palavras formado pela incapacidade de o menino pronunciar Auschwitz corretamente, da mesma forma como chama o Führer de Fúria – até que encontra Shmuel, um menino de pijama listrado, que é exatamente o oposto de Bruno, ou da situação de Bruno naquele período, e descobrem que nasceram no mesmo dia.

“Somos como Gêmeos”, disse Bruno.

“É, um pouco”, concordou Shmuel.

A partir de então vemos uma amizade sincera nascer, e isso em grande parte devido ao fato de que ignoram muito do que ocorre em torno deles – apesar de Shmuel ter uma consciência maior dos acontecimentos, principalmente se comparado à Bruno – e questionarem as coisas simples da vida, como o fato de não poderem ser crianças como uma criança deve ser, e o porque de terem que deixar suas casas para morar ali.

E durante estes diálogos, esses questionamentos me levaram a me perguntar quantos anos Bruno teria? Nove, como diz o livro? Não parece. Algumas vezes, sua ingenuidade é tão grande que parece que tem cinco, ou quatro, ou mesmo que é um Telletubie! Claro que uma colher de chá deve ser dada. Quem em sã consciência, e aos nove anos, consegue assimilar todo o terror da Segunda Guerra Mundial? Tenho 25 e me esforço para tentar. Então talvez seja normal a ignorância de Bruno, mas em alguns momentos ela é irritante.

John Boyne consegue algum mérito, ao construir uma relação de amizade entre os lados opostos daquela guerra, ainda mais em se tratando de crianças judias e alemãs; mesmo com o final, meio novelesco, mas, em certa medida esperado pelos acontecimentos dos últimos capítulos.

O livro te mantém ocupado enquanto o tem nas mãos, mas não te põe a pensar depois, e, em verdade, não chega a acrescentar muito sobre o assunto. É leitura para meio dia, e ponto.

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas, 2006Tradução de Augusto Pacheco Calil) John Boyne – 190 páginas, ISBN 9788535911121 Companhia das Letras.

2,5

 

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PS: Se você não sabe o que foi o regime nazista, a segunda guerra mundial ou os campos de concentração, então, meu amigo, você tem sérios problemas.

TYBUG55DKCA3

2 comentários:

  1. Ei Luciano eu também achei irritante esse alheiamento do Bruno, mas é bem como tu disses, estamos nós aqui distantes e com muito mais bagagem que ele e ainda assim não compreendemos.
    Adorei o p.s., deveras pertinente e bem humorado :D
    estrelinhas coloridas...

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  2. Olá Mi,

    Pois é, foi tudo tão fora da realidade, do imaginável, que até dá para entender o alheiamento do Bruno, mas que irrita, ah isso irrita.

    Grande abraço.

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